O evento


O EVENTO 

A escola era de um verde azulado e bem aberta, havia algumas áreas verdes mais afastadas de onde estávamos. Fomos direto para a quadra da escola, que se localizava a esquerda da entrada.






No momento que entramos os componentes do Bloco de Pedra estavam em roda e, pelo que pudemos ouvir da conversa, eles conversavam sobre o que haviam tocado mais cedo. Assumimos que eles fizeram um ensaio ou alguma apresentação antes do início antes da oficina do projeto Calo na Mão. Nesta conversa, um homem que parecia liderar o grupo perguntava aos integrantes o que eles tocaram e algumas pessoas, homens e mulheres, respondiam bem alto. No fim da conversa todos os integrantes bateram palmas e então o homem que liderava convidou as pessoas da arquibancada para se juntar ao grupo na oficina.

Na arquibancada sentavam homens, mulheres e crianças, cujas mãos, com frequência, recorriam aos celulares para fotografar as atividades que aconteciam na quadra. 






Alguns desses espectadores desceram e foram tocar os instrumentos e dançar. Neste momento redobramos nossa atenção e começamos a observar com afinco as pessoas que estavam a tocar, cantar e dançar. Muitas das que se juntaram ao grupo na oficina pareciam já ter certo conhecimento dos uso dos instrumentos, pois apenas os pegaram e partiram aos batuques. 


Era um grupo bem diverso que tocava, havia diversas etnias, negros, brancos, asiáticos, assim como diversas idades. Pessoas bem novas, com uns 16 ou 17 anos, e também pessoas de mais idade, de 60 a 65 anos, contudo eram a minoria, a maior parte das pessoas aparentavam ter entre 20 e 30 anos. Eles se vestiam de formas diferentes. Alguns usavam calças, outros, shorts, outros usavam saias. 





 






Havia pessoas de camisa, de camiseta, algumas mulheres com blusas. Algumas das pessoas que tinham cabelo longo, principalmente as mulheres, estavam de faixa para segurar os fios, algumas outras pessoas usavam elástico de cabelo para prendê-lo e outras estavam com ele sem prender. Nos pés, uma grande diversidade de calçados, alguns descalços, outros de chinelo, tênis, sandálias, alpargatas e etc. Algumas mulheres e homens usavam brincos e/ou alargadores e também havia aquelas que não estavam utilizando nenhum dos dois. De onde estávamos sentados o sol nos permitia ver alguns anéis em algumas das pessoas quando sua luz refletia no metal. Da distância que nos encontrávamos não conseguíamos ver se alguém estava usando maquiagem ou não. Os óculos de sol eram muito presentes, quase todas as pessoas os tinham.  

 As saias chamaram nossa atenção. Há um grupo de dançarinos que parecem cortejar os músicos dançando em volta  deles, a maior parte desses dançarinos são mulheres e apenas dois eram homens. Os dançarinos seguravam as saias com as mãos em alguns momentos e faziam movimentos para trás e para frente, fazendo elas se moverem em um interessante zigue-zague. 




Quando não seguravam as saias, eles mexiam os braços com eles dobrados em mais ou menos 90 graus, jogando os cotovelos para frente e para trás, ora aproximando ora afastando as mãos. Os pés também se aproximavam e afastavam durante a dança e também se cruzavam, principalmente quando os dançarinos faziam passos para o lado. Intercalavam giros entre os passos e quando estavam dançando em volta do grupo (em momentos dançavam na frente do grupo) davam dois passos laterais e um giro de 180 graus até se terminar o “círculo” em volta dos músicos.
 Depois retornavam para onde estavam antes, a frente dos músicos e antes de entrar nessa áreas os dançarinos faziam uma sequência de 3 giros e voltavam aos passos que estavam fazendo antes do 
“cortejo”.

 



Um desses homens usava, assim como as mulheres, uma saia muito colorida, cheia de flores e rodada, tão rodada que quando eles giravam as saias faziam um lindo círculo cheio de cor. 

 








No que diz respeito a música, o homem que liderava o grupo parecia reger e cantar, guiando os outros músicos através da canção, e em muitos momentos ele cantava e os os outros músicos pareciam responder cantando. Depois uma voz feminina se juntou a ele no canto, mas o homem continuou a reger. Um pouco mais tarde outro homem se juntou aos dois vocalistas e assim ficaram até a última música. Todos eles, músicos, pareciam muito focados em seus instrumentos e na apresentação em geral, mas também transmitiam alegria e prazer. Não observamos nenhuma outra bebida senão água sendo bebida pelos integrantes do grupo de maracatu.





Depois do Grupo Bloco de Pedra e a oficina tocarem a primeira e a segunda música a integrante de nosso grupo Jade desceu da arquibancada para dançar junto com eles. O mesmo ritual se procedeu, mas com uma música diferente das duas primeiras. Contudo, percebemos que apesar da música que se esteja cantando há um toque base para todas as elas. Nesta que a Jade se juntou à oficina houve um longo canto em coro no início. 






















Depois dessa e de algumas outras  performances, outros integrantes de nosso grupo (Pedro, Gabriela, Sayane, Mariana R. e Mariana L.) também se puseram a dançar junto. Eles fizeram a mesma dança de antes, contudo no final dessa música ao terminar o cortejo ao redor dos músicos os dançarinos e os membros de nosso grupo que estavam dançando não voltaram a ficar à frente dos  cantores e instrumentistas, mas entraram no meio deles. Nesse momento muito especial da oficina, pareceu ter havido uma inversão de papéis, agora ao invés dos dançarinos cortejarem os músicos, os músicos cortejavam os dançarinos. Essa formação se manteve por um tempo, até a música sendo tocada acabar, e quando acabou todos bateram e soltaram gritos de alegria.



















GABRIELLE, MARIANA L. MARIANA P. PEDRO, JADE, SAYANE


Nós voltamos para a arquibancada e decidimos tentar entrevistar alguém, mas isso não foi possível, mas aos conversarmos com os integrantes  do Grupo Bloco de Pedra sobre nosso trabalho e nos agradeceram por estar fazendo sobre eles e também nos convidaram a voltar. As entrevistas não foram possíveis, porque, logo antes de voltarmos para a arquibancada, o homem que liderava o grupo disse que eles se apresentariam em uma festa junina que haveria na praça da rua debaixo, e por isso o evento que acabaria às 17h estava acabando as 16:20. Nosso grupo decidiu seguir o grupo de maracatu na festa junina, mas antes de sair em direção ao local onde aconteceria, paramos, dentro da escola mesmo, para beber água. 

O evento durou uma horas e vinte minutos.
Saímos da escola e fomos em direção à praça, começamos a nos conversar e todos estávamos com fome, a festa junina parecia uma ótima ideia para todos, pois mataríamos a fome nas barraquinhas. Mas isso foi uma suposição. Chegando na praça vimos que ela estava “dividida” em duas partes. 



Numa primeira parte estava acontecendo uma espécie de evento de circo, não do tipo que tem palhaços, mas sim daqueles que as pessoas fazem movimentos que impressionam a quem vê, espécies de acrobacias.




























Tocava música eletrônica num volume não muito alto, mas numa altura que podia ser ouvido na parte da praça que esse evento ocupava, ela estava decorada com fitas coloridas, elásticos e redes entre as árvores e panos longos coloridos caindo das árvores mais altas. Panos esses que algumas pessoas estavam a subir e fazer espécies de poses. As pessoas que estavam nesse evento estava de camiseta e bermuda, algumas de chinelo ou tênis, mas a maioria descalça. Algumas pessoas tinham dreads e  muitas meninas e meninos de cabelos compridos estavam com as madeixas presas. A faixa de idade dos indivíduos desse evento era entre 17 e 25 anos. Muitas pessoas estavam a conversar, outras a fazer os movimentos de circo, algumas outras se beijavam, outras estavam deitadas sob as sombras das árvores ou sob a luz do suave sol do fim da tarde. Não ficamos tempo o suficiente para observar o que bebiam e comiam, fomos para a parte da praça em que estava ocorrendo a festa junina. 


                             

Na festa junina havia a decoração típica dessa festa, havia também um grande palco, onde uma banda cantava uma música da banda “Falamansa”. As pessoas usavam calças ou bermudas, muitas estavam de camisa xadrez e outros de camiseta, usavam tênis, botas ou sapatilhas. Nós fomos a procura de barraquinhas de comida, mas não havia e, então, percebemos que era uma festa junina comunitária. 





O grupo de maracatu ainda não tinha chegado na praça e então decidimos ir embora e comer. A integrante Jade disse que conhecia uma padaria na vizinhança e nos levou até lá. A padaria era muito bonita e o cheiro de comida estava deliciosamente no ar, assim nos sentamos e comemos. 


Depois de comer fomos em direção a estação Sumaré do metrô novamente.  




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